sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MACUMBA

Eu vô pra macumba,
Eu vô pru candomblé!
Quarqué uma que truxé
Esse nego pru que dé e vié!
Vô falá cum orixá
Cum Iemanjá que tamém é muié,
Prá trazê esse nego
Bem rente nus meus pé!
Vô tumá banho de chêro,
De arfazema, de cuité,
Vô fazê os beiço preto
de bebê tanto mé!
Vô pulá sete maré,
Vô rezá uma reza forte,
A mais forte que tivé,
Eu vô fazê o que eu pudé
Pra tê esse nego nus meus pé.
E aí quando ele vié,
Cheio de dengo e rapapé,
Aí eu vô dizê:
Pode dá nu pé seu nego,
Agora sô eu que num mais qué!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PESCADOR

Ondula o diafragma
sobre a negra vaga
das solidões oceânicas.
É profundo o escuro
preso na retina do anonimato.
Tantos atos afogados
No repuxo das pulsões
Sem farol nem barco.
Ô pesca dor, ô pesca dor!
Já não há porto!
Ô pesca dor, ô pesca dor!
É o mar, é Omar!
É o corpo, é o corpo!
É o mar, é Omar!
Está morto! Está morto!
À deriva no conforto
da negra vaga das solidões
oceânicas.

sábado, 24 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ENTREGA


Sob as unhas
O que restou
Do gozo
Daquele poema
A que me entreguei.

PÁGINA EM BRANCO


Sorrisos volitam solúveis
Entre meus dedos
Na ponta do lápis.
Capturo furtiva a dúvida
Que me atrai e
Compreendo tardia:
A felicidade jaz(z).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

POR PIEDADE


Nem que seja por piedade
Te quero dentro de mim
Quero que apague essa ardência
Me iluda com a crença de um
Amor ruim
Me jogue no balaio das meninas vis
Só pela ousadia de assumir
Que um dia eu te quis.
Vamos, me tenha!
Nem que seja por clemência
Eu estou bem aqui aos seus pés
O que é que você me diz?

VESTIDO DE NOIVA




Lasso, lasso
Deitado na cama,
Um espetáculo.
Branco, devasso.
Um calor no espinhaço.
Desato o nó,
Desfaço...
Já não há espaço
Entre nós.
Coloco o vestido,
Dou o laço
É de noiva,
Um grande passo